Arquivo do mês: maio 2014

Todas as raízes

Foi quando eu percebi
que por mais que eu tentasse
ser uma Coisa
menos eu era
e menos Me era
e mais me perdia
pra dar lugar
ao que antes não cabia
quando o certo
é eles se espremerem,
ter bons modos,
ou então acharem
um sapato do seu número.

(Aí entro num dilema:
seria eu um coração de mãe
ou a casa de uma velhinha
com síndrome de diógenes?)

Hoje eu descobri
que esse monte de ar preso na garganta,
no estômago
e nas vísceras
não é por causa de cigarro,
não é por causa de fumaça da cidade,
muito menos falta de exercícios físicos.
É o ar de todo mundo
me deixando num dilema
de como pôr tudo pra fora.

(Se eu pudesse, expiraria tudo
voaria 8.000km daqui
com o nariz tampado
até encontrar um bosque
sem qualquer resquício de gente
pra só então inspirar…)

Pra só então me ser.
Pra só, me ser.

(Itaúnas, 2014)

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