Todas as raízes

Foi quando eu percebi
que por mais que eu tentasse
ser uma Coisa
menos eu era
e menos Me era
e mais me perdia
pra dar lugar
ao que antes não cabia
quando o certo
é eles se espremerem,
ter bons modos,
ou então acharem
um sapato do seu número.

(Aí entro num dilema:
seria eu um coração de mãe
ou a casa de uma velhinha
com síndrome de diógenes?)

Hoje eu descobri
que esse monte de ar preso na garganta,
no estômago
e nas vísceras
não é por causa de cigarro,
não é por causa de fumaça da cidade,
muito menos falta de exercícios físicos.
É o ar de todo mundo
me deixando num dilema
de como pôr tudo pra fora.

(Se eu pudesse, expiraria tudo
voaria 8.000km daqui
com o nariz tampado
até encontrar um bosque
sem qualquer resquício de gente
pra só então inspirar…)

Pra só então me ser.
Pra só, me ser.

(Itaúnas, 2014)

Anúncios

1 comentário

Arquivado em Uncategorized

Uma resposta para “Todas as raízes

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s