Arquivo do mês: janeiro 2015

explico

o que escrevo
é o que não digo
quando não
abraço o que
sinto

qualquer coisa
além, é
hora passando
perdida no acaso

qualquer coisa além
é qualquer coisa
que não sei

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Depois de um susto

eram como uma gangue de policiais
que me obrigavam a parar no tempo
e deixar que no lugar dele
fossem embora
coisas que eu julgava importantes
mas que de fato não eram

foram meu dinheiro, meus lápis de cor
o último ônibus pra casa
o último álbum do belchior
todo meu egocentrismo
meu emprego e meu lugar
num futuro só meu
porque nele,
não caberia você

eram também um novo conceito
sobre o prazer do tato
ainda não tinha no dicionário
qualquer definição de vício
que fizesse jus ao incessante
deslizar e apertar de dedos

em pele que não minha
em orelhas que não minhas
em pêlos loiros que não meus

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