Arquivo do mês: abril 2015

sobre seus freios

pego todos os
seus restos
de um ontem
e deixo contigo
nas tuas fronteiras

não aceito mais
suas curvas
de gente
blindada
assim como
também não quero
suas flores
de plástico
sobre a mesa
da minha sala

não há som no rádio
não há gota pingando
na pia no silêncio
de um domingo

qualquer resquício de lar
já não mora mais aqui

e eu também não.

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I – olhos

eram duas nuvens
pretas
e brilhantes
que refletiam
o desejo
escondido
em mim
eram duas bolas
que se mostravam
tão serenas
que todo relógio
parava no
piscar
dessas duas bolas
mágicas
mirando
o meu
amor
teu

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ish

dia desses encontrei
o fio estourado
do seu ukulele
e me veio aquela rotina
fora de hora
de cafés da tarde, patês
e algo que
até hoje
nem deus decifrou
o que era.

estourou na casa
um silêncio,
desses que tem um grito
tão contínuo
que qualquer parada
é incômodo

não lembrava nossa música,
nem o barulho do seu carro
às seis,
muito menos
som de passarinho.

só sei que o calei de novo
como se nada
tivesse acontecido,

pela quarta
ou quinta vez.

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