água viva

tu me deixou com antipatia e tristeza
pelo mar
e eu me pergunto
que tipo de pessoa
consegue fazer dele
algo tão indesejável

apaguem todas as fotos
que o retratem
tirem os filmes
e quadros
da minha frente

peça pro motorista
fazer o caminho
de volta pra casa
entre asfalto, carros
e avenidas

porque eu não quero
passar nessa areia
eu sequer aguento
sentir essa brisa salgada
sem querer vomitar

tudo aquilo de você

que ficou engasgado
na garganta,
grudado nos cabelos
e na pele
como um cheio podre
impregnado num tecido
 
todas as angústias
que por anos silenciei
que por anos fingi
não estarem ali
que por anos me fizeram
ser a louca de nós dois
 
afinal sempre tem alguém
pra ser o louco da história

guardei a loucura
na garganta
esperando a chance de vomitá-la
bem verde, ácida e fedorenta
na primeira sarjeta
daquela rua que eu nunca mais
vou passar

e junto com ela
foi todo o alfabeto
que você transformou
em palavras esdrúxulas
e cheias de clichê,
cheias de significado
que você não queria dizer

cheias de mentiras
que só uma boa
faculdade direito
saberia ensinar a
revertê-las na mais
absoluta verdade

pensando bem,
passa pela praia sim.

 

 

 

 

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