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Pranto Seco

Ouviu dizer
que no litoral
tristeza não havia.
Voltou à casa
pegou suas mágoas
e levou-as de molho no mar.
Dedos enrugando,
pele congelando,
boca rachando,
sal invadindo a alma.
Do mar saiu achando
que a saudade ia ficar pra trás;
mas mal sabia
que por ter entrado
tão salgada
saldade lhe incomodaria pelo resto dos dias.
E não adiantaria
a água que tomasse
a melancia que chupasse
o açúcar que comesse
o beijo que desse…

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Barbarella

Para Felipe Araujo.
baba
Tuas sapatilhas amarelas
sendo plataforma do marrom
que começa nos teus dedos dos pés e vai
até o último fio de cabelo.
Cabelo que faz nuvem,
nuvem que eu sentaria e apoiaria meus pés
nas tuas saboneteiras.
Saboneteiras que escapam,
do teu vestido estampado
com flores coloridas
que com tua pele fazem o contraste mais bonito que já vi.
Saboneteiras que ficam de fora me deixando assim meio
doido, doído
sem jeito
querendo ser uma dessas flores.
Flores que eu mandei a natureza copiar
pra deixar no vaso em cima da tua mesa da sala.
Tua sala, teu sofá, que eu daria tudo pra estar sentado
enrolando tua nuvem na minha nuvem.
Mas por enquanto só chove.

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Entre becos e barbas

Imagem

imenso é o mar
imenso é amar,
o resto em mim
é respeito
muito sem jeito
caminhando em areia fofa. 

(thiê)

Que vontade de te ligar agora e dizer que esse Rio de Janeiro é a sua cara, e que mesmo você sendo chato e herege dizendo que “não gosta muito da cidade e sim das pessoas”, ainda acho que cê devia vir pra cá passar uns dias, sozinho. Aí você me diria que lógico-que-eu-iria-ao-Rio-te-ver mas eu diria não, primeiro vem sozinho. Te daria um mapa feito à mão, desenharia com lápis de cor os lugares e trajetos que eu queria que você conhecesse e só depois de ter certeza que você sentiu tudo isso que eu tô sentindo nesse exato momento em que eu tô aqui, deitada nesse apartamento na Lapa tentando dormir, mas preferindo ouvir a conversa de um pessoal rindo aqui embaixo, eu te encontraria por entre essas esquinas cheias de barbudos. Não porque eu gosto de barbas, mas porque a sua nunca cresce e assim seria mais fácil te reconhecer.

Foi quando eu lembrei que eu já não tenho aquela intimidade de poder ser espontânea assim com você. Se eu não posso mais ser eu mesma, o que mais posso ser? Fiz mal em não ligar? Afinal, que parte de mim ainda tem guardada aí? Vai saber. E isso doeu, raparigo, doeu mesmo. Porque é ruim saber que você sempre vai estar entre todas as coisas boas que me acontece na vida – acontece, mesmo, presente do indicativo, porque ainda sinto você por aí, principalmente em lugares bonitos como esse aqui – enquanto eu vou estar só nesse suspiro de lamento aí que você solta sempre que se frustra em não descobrir do que é feito o samba. E posso te dizer? Aqui você descobriria. Mas quando essa raiva, tristeza, incômodo, indecisão, orgulho, seja-lá-o-que-for passar – e por favorzinho, toma um remédio pra passar logo – , aproveita e passa aqui também. Pega carona na cauda de vento dessa coisa besta e salta aqui. O apartamento é 605, sexto andar. E traz cerveja.

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