Arquivos do Blog

A luz das 17h

A luz de domingo tava incrível, eu olhei as paredes e elas estavam iluminadas de tons rosados e eu pensei “de onde vem essa luz?” e a luz vinha de fora da janela, eu pensei comigo mesma ainda bem que a cidade muda de cor de vez em quando e eu dizia pras pessoas que estavam comigo gente olha essa luz e elas olhavam e voltavam pro que estavam fazendo e eu gente como assim, não dá pra abandonar essa luz! Fiquei ali um bom tempo olhando pra ela, pensando que todo mundo devia me achar uma tola falando o que falava e dando tanta atenção pra uma mudança comum no céu, mas é que naquele instante das 17h e eu não lembro em qual segundo foi, eu achei aquela luz a coisa mais incrível dos últimos dias que estavam tão despercebidos – passavam vagarosamente e eu fazia o que precisava fazer mas era como se não tivesse feito, eu saía da cama mas era como se não tivesse acordado, eu tomava banho mas era como se meu corpo não sentisse a mudança de temperatura da água – e aí, no dia mais improvável de felicidade humana, ela veio, no finalzinho da tarde: toda linda no céu e pintada de rosa. Fiquei boba, voltei a ficar boba.

18.07.JPG

Anúncios

Deixe um comentário

18 de julho de 2017 · 21:25

Confidência

Me confundo
com a compostura
de gente composta
que se comporta
de um jeito a cada porta.

Que não se corta
ao cortar minha cala.
Que cala toda vez
que come (meu) coração.

Ah, cara!
Quisera eu que tu conseguisse cuspir.

Deixe um comentário

3 de abril de 2014 · 02:49

Já chequei, não é contra lei

Ao som de Lloyd I’m Ready To Be Heartbroken – Camera Obscura

Para Adna Martins.

Permitir-se.
Explorar-se.
Até que em mim tudo se torne infinito,
Até que os dois lados da moeda sejam completamente opostos,
E inevitavelmente essenciais

Permitir-se.
Pra que todos os meus medos
se esmaguem no seu abraço
e do pó nasça desejo
pra que eu te deseja incessantemente.

Permitir-se:
algo mais insano,
algo mais sem chão,
algo mais inseguro.
Pra que eu perca minhas noites de sono
pensando nos milhões de se, talvez
contudoentretantoporémtodavia.
Até que eu, enfim, ignore todos
e aceite que tudo na vida é condicional.

Permitir a paz que isso traz.

Pra te permitir
me olhar desse jeito
que faz com que eu me sinta bonita
tão bonita
a mais bonita de todas.

Permitir-me ficar bonita assim pra sempre.
Ou até amanhã de manhã.

2 Comentários

14 de abril de 2013 · 04:28